sábado, 29 de novembro de 2014

“Foi sem querer querendo!”




“Eu prefiro morrer a perder a vida!”

            Ontem, Chespirito levou muito a sério o famoso bordão do Sr. Madruga “Chaves, por que não vai brincar em outro lugar!?” Como sempre, ele ficou ainda mais próximo do Sr. Madruga (Don Ramón) e hoje começamos a ver o sempre menino “da juventude que nunca morrerá” a brincar de eternidade com os anjos e com a Criança do presépio. Quem vai ousar se esquecer do dramaturgo que, sem perder o ar da tragédia, transformou seus personagens em filhos de uma sã comédia!? Roberto Gómez Bolaños ornou minha infância, adolescência e maturidade com o encanto de uma criança pobre de roupas remendadas e com as aulas de bravura dadas por um herói desengonçado. Por isso, quero agradecê-lo hoje com essas “pequenitas” palavras de gratidão.
            Como vou me esquecer de um homem que é sensível o bastante para ver numa criança órfã, pobre e até mesmo sem nome, o motivo de muitas alegrias, trapalhadas e lições? Devo agradecer ao Chaves, pelos inumeráveis sorrisos que já tirou em meu rosto e pela meta-retórica de suas palavras. Sou grato por ter sido condecorado com muitas brincadeiras atrapalhadas que, mesmo machucando alguém, deixavam a felicidade acontecer ou ainda por sempre ter me lembrado, ao assistir Chaves, que os melhores brinquedos são aqueles que criamos com nossa imaginação. Não vou me esquecer de usar “zass, zass e ai a gente vai” (palavras acompanhadas de movimentos constantes dos pés), cuja alegria contagiava minha confiança; o “isso, isso, isso!” que me ensinou a asseverar aquilo que meus desejos mais afirmavam em meu coração; e, por falar em desejo, quem melhor me ensinou a ver que nossas vontades e atos estão recheados de intenções desconhecidas para nosso consciente não foi Freud, mas antes o pequeno Chaves que sempre se justificava: “Foi sem querer querendo!”
            Sem querer querendo ainda, Chesperito me presenteou com a felicidade de um herói humano, exageradamente humano. Diferente de todos os heróis midiatizados cuja força, poderes e inteligência eram miraculosos e até mesmo apavorantes, o bom Chapolin me ensinou que ser herói é disponibilizar-se a ajudar, sempre se apresentando ao outro que clama: “Oh e agora quem poderá nos ajudar? – Eu!”. Suas vitórias se davam pela coragem, pois o herói de vermelho é medroso, assim como todos nós, e nos ensina que a coragem não é ser destemido, mas sobretudo ser capaz de viver com o medo. Chapolin é símbolo de minha gratidão, ao incrível Roberto Bolaños, por ter me ensinado que o heroísmo é seguir, em nossa humanidade, o bem: “Sigam-me os bons!”
            Ah, meu herói de vermelho que veste gorro e se torna criança inominável, OBRIGADO! Escolhi o título, pensando no que você queria nos dizer hoje: “Foi sem querer, querendo” que você se foi deste mundo, mas é querendo, por querer que você fica em minha, nossa e na memória de toda a humanidade como o homem que “prefere morrer a perder a vida” sustentada eternamente com os muitos – muitos mesmo – personagens da história do povo latino-americano.
“BOA NOITE, CHAVES!”


JACKSON DE SOUSA BRAGA
Cartão de São valentin, 29 de novembro de 2014

P.S.: Amo sanduíche de presunto também!


domingo, 26 de outubro de 2014

Observações sobre a eleição


É interessante analisar a vitória de Dilma e as reações inúmeras que existem tanto do eleitorado da vitoriosa, quanto do eleitorado do outro candidato. Quero fazer aqui somente algumas ponderações sobre o que percebo. Destaco que não se deve interpretá-las como uma análise exaustiva, mas antes como algumas provocações sobre o evento da vitória e suas manifestações.
Quero começar falando de nossa postura de petistas. A Vitória de Dilma é uma expressão da confiança dos brasileiros em seu governo, mas a larga vantagem anterior diminuiu. Podemos perceber nesta perspectiva que também precisamos avançar mais, melhorar nosso país e a qualidade de vida de todos. Saliento que percebo os avanços e por isso votei no PT, mas também sou correligionário das preocupações sobre aspectos particulares da economia e outros fatos. Acredito no PT e em Dilma, nossa presidenta, e estou aqui deixando meus votos de uma gestão melhor do que a anterior. Os avanços não podem acabar com relação ao respeito à pessoas humana e à qualidade de vida de TODOS os brasileiros.
Sobre algumas posturas tucanas, peço cuidado e respeito. Muitos se manifestaram em defesa das acusações de preconceito quanto às palavras de Fernando Henrique Cardoso. Contudo, são muitos também que acusam os eleitores do PT de “analfabetos, nordestinos e domesticados por bolsas”. Quantos às acusações, não foram somente estes os eleitores da candidata. Inclusive o reduto eleitoral de Aécio, Minas Gerais do qual faço parte, não o apoiou e foi fundamental para reeleição da candidata, mostrando claramente que o governo do candidato tucano não trouxe também tanta satisfação – conforme se vangloria com um suposto índice gigantesco de aprovação que se atribui. Além disso, a postura de usar os adjetivos “analfabetos, nordestinos e ‘pobres’” como pejorativos já é uma postura de preconceito quanto a essas pessoas que devem ser respeitadas em sua dignidade e experiência de vida como brasileiros – conforme nossa própria constituição e os códigos de direitos humanos lembram-nos.
Mas, minha maior alegria nessas eleições foi a participação do povo brasileiro. Temos que reconhecer que avançamos, a qualidade de vida dos brasileiros se desenvolveu. Não me lembro, mesmo ainda sendo um mero aprendiz de 25 anos, um tempo de tanta participação política dos brasileiros. Orgulho-me por ver meu povo discutindo qual o melhor a caminho a se tomar, a apresentar razões que consideram relevantes para escolher o que é melhor para nossa história. O Brasil inteiro venceu essas eleições, porque o seu povo abraçou seu compromisso de fazer da política uma arte de governar para o bem de todos e não mais uma cansativa reclamação de poucas soluções e muita “roubalheira” – sei que estas não deixaram de existir, contudo também vi o quanto a corrupção começa a perder força no Brasil, superando a visão de ser um problema político para se tornar um real problema antropológico de nosso povo e/ou de nosso “jeitinho”
Finalizando, quero dizer: OBRIGADO BRASIL! Fizemos nossas escolhas e caminhamos para um novo rumo de novas mudanças, as quais espero e confio que serão ainda melhores. Somos vitoriosos, todos, e tenho certeza que a presidenta Dilma tanto quanto todos os outros candidatos eleitos devem tentar fazer o melhor para nosso Brasil, juntos e com a presença de todos os brasileiros...
#VIVA_O_BRASIL
#VIVA_A_DEMOCRACIA
#MUDA_MAIS_DILMA13

JACKSON DE SOUSA BRAGA

Itabirito, 27 de outubro de 2014, 0h.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"Filosofar é aprender a morrer" (Montaigne)



Cara Morte...
“Filosofar é a aprender a morrer” (Montaigne)
            Minhas saudações, sem espera de resposta antecipada, pois temo o dia em que tiver de recebê-las. Hoje gostaria de fazer um pedido, mesmo sabendo de que sua realização não venha a ser obtida. Sei que seus mistérios foram feitos para o silêncio da incompreensão linguística, contudo minhas palavras foram feitas para ser compreendidas – ou pelo menos percebidas – e, por isso, escrevo e digo-lhe este desejo, pois quero ser livre para cantar os segredos de meu coração e de minha razão.
            Meu desejo foi elaborado ao longo dos bilhões de anos da existência deste universo. Foi forjado em meio à expansão do cosmos, do qual faço parte. Talvez, a vontade seja a única que realmente tem coragem de encará-la. Mesmo sabendo do fracasso dos voluntários, ela sabe que deve manter-se corajosamente a cantar o seu maior sonho: a Vida. Sabendo disso, quero dizer-lhe este desejo: Que meus olhos sejam definitivamente apagados por você com a imagem das estrelas e não de seu rosto desconhecido.
            Sei que a curiosidade filosófica de minha existência deseja conhecer seu rosto, porém o encanto das estrelas já conseguiu fazer com que esta curiosidade seja inferior. Repito novamente que meu desejo pode não ser realizado, mas mesmo assim quero argumentar as razões que levam o meu desejo a ser autêntico e real para cumprir-se:
            O primeiro argumento é a paixão pelas estrelas que sonda o meu coração. Sei de que suas chegadas são marcadas constantemente pelos apelos dos apaixonados que pedem mais tempo para viver com seus amantes e mesmo assim sua realização é acionada e cumprida. Porém, peço que leve em consideração que não desejo descumprir sua missão e sim cumpri-las, só que contemplando e tendo a última e única visão de minhas amadas, para que eu possa viver a eternidade cosmológica compreendendo as razões que minha própria razão desconhece.
            O segundo argumento é a audição do silêncio estrelar. As estrelas sempre cantaram em meus ouvidos os segredos do cosmos – sei que não os compreendi todos, mas sempre amei ouvi-las. Sei também que meu desejo é apenas a utilização do sentido da visão e não da audição, todavia a visão final das estrelas me dará a graça de continuar a relembrar e compreender as infinitas e encantadoras melodias que os lindos astros cantaram em meus ouvidos.
            O terceiro e último argumento é a escuridão. Como já disse e todos sabem, até hoje nenhum ser voltou de suas viagens, mas sempre seu principal slogan foi a escuridão. Para que eu possa ver as estrelas será imprescindível que você me presentei com a noite e necessariamente com a escuridão. Ora, sendo a escuridão um presente que permite a manifestação das estrelas, eu opto – como já disse no “Por que Deus criou as estrelas?” por ver o brilho do astro e não a escuridão que o rodeia.
            Confiante de sua compreensão de meu desejo, despeço-me sem esperança de tão cedo vê-la, mas com o constante sonho de que me presentei com este desejo no dia único de nosso encontro, pois – como dizia Vinicius de Morais de você: “chega impressentida/ nunca inesperada/ você que é na vida/ a grande esperada!”.


Jackson de Sousa Braga
24 de agosto de 2014
Nas estradas de um estrageiro

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nada como ser mineiro!




“Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer,/ é fingir que não sabe aquilo que sabe, / é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, /é vender queijos e possuir bancos.”
(Carlos Drummond de Andrade)

            Perdoem-me os filhos de outro estado, mas tenho que assumir que não existe nada melhor do que ser mineiro. Sou filho do estado das Minas de ouro e mineiro de ferro, mas que também é formado pelas longas e Gerais planícies que caminham para o Nordeste. Sou filho do estado que tem em seu formato o rosto humano de seu povo, que é batalhador e sonhador. Tenho a alegria de ter como conterrâneos os sonhadores e trabalhadores da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.
“Minha terrinha” é marcada pela hospitalidade do Café com Pão-de-queijo e da suntuosidade dos monumentos históricos. Sou filho do estado da Religiosidade amorosa e tradicional e também da inteligência magnânima dos filósofos, dos grandes líderes e inventores, dos eruditos oradores e dos grandes poetas. Em minha “tirrinha”, vejo o encanto do pôr-do-sol sendo agraciado misticamente pelas lindas paisagens e no brilho do luar consigo ouvir o doce cantar das violas e violões em cantigas tão antigas e tão novas de meu amado povo.
E por falar em meus conterrâneos, tenho que ressaltar minha alegria de ter seu sangue e sua história. Ser mineiro é ter na vida a força do minério de ferro, abundante em nosso solo, bem como o cintilante esplendor do ouro de nossas Minas. Mineiro é forte, porque não teme lutar pelos sonhos de uma humanidade mais humana e por ter a fé de que a fraternidade acolhedora é nossa maior liberdade. Mineiro também é brilhante, porque faz de nosso mundo um lugar melhor, oferecendo até mesmo asas ao homem que ainda não havia aprendido a voar.
Não posso me esquecer de contar que recebi a graça de falar um dos idiomas mais lindos desse meu Brasil: O Mineirês. No querido “Uai”, nós, mineiros, conseguimos mostrar a sociedade que nossa natureza filosófica é um sonho constante de querer entender o mundo e os outros; No famosíssimo “trem”, nossa linguagem mineirês consegue expressar-se em um signo o infinito de possibilidade e de objetos; Quanto ao lindo “Sô”, só posso dizer que nós somos os únicos a ter uma palavra como ponto final ou como o diminutivo do pronome de tratamento: Senhor; Desculpem-me por não continuar elencando todo o dicionário Mineirês (“Noss, Cruz-credo, retrato, Pelejanu, éMess...”), mas essa empreitada é muito grande para tão pouco tempo.
E por falar nisso, não querendo terminar nossa prosa, mas já parando por aqui– pois o entardecer do papel não é capaz de conter a minha alegria e os inumeráveis  dons de Minas Gerais – quero dizer que ser mineiro é um privilégio não só dos que nascem nessas redondezas, mas de todos que aqui vem, porque somos marcados principalmente pela acolhida de nossa hospitalidade e pela simplicidade em nossa história. E sabe por quê?


POR QUE SER MINEIRO É MUITO BÃO, UAI! É UM TREM BÃO DEMAIS DA CONTA, SÔ!”



JACKSON DE SOUSA BRAGA
Mineiro
Minas Gerais, 16 de julho de 2014
Dia de Minas Gerais

sábado, 3 de maio de 2014

O Frio inquietante



Esfriou-se a doce palavra patente
Esfriou-se o calor da conversa virtual
Esfriou-se o encanto do olhar “caliente”
Esfriou-se o segredo do enigma astral.

Congelaram-se os gozos do solipsismo
Congelaram-se os dias do mesmismo
Congelaram-se os cobertores do materialismo
Congelaram-se  também as noites do intelectualismo.

Nevaram dores nas alegrias prontas
Nevaram loucuras onde lhes proponho
Nevaram vergonhas nas soberbas tontas
Nevaram pesadelos sem gosto de sonho.

Sou gelo sem o sabor das sensações
Sou o granizo dos santos corações
Sou a neve sem o contraste dos algodões.
Sou, finalmente, o frio que apaga as emoções.




JACKSON DE SOUSA BRAGA
Aquecido, 3 de maio de 2014, 22h10min.

terça-feira, 11 de março de 2014

Libertem-me do sonho dogmático!

Será destino do homem moderno ser neurótico, ter medo da vida?
(Alexander Lowen)


Hoje é o dia mais importante da existência, porque eu acordei num desconhecido que se fez histórico. Fui obrigado a não mais viver do doce prazer que o meu inconsciente me proporcionava num sonho desconhecido. Tive a responsabilidade de descobri que são meus pés quem primeiro descobrem o mundo ao sentir que não estou mais suspenso e sim em solo firme. A navegação acabou, o por ou nascer do sol já não serão mais refletidos pelas águas salinas... só vou ter as estrelas nas poucas noites que não mais dormir.
            Chega de dormir! Já não suporto mais o sonho do sucesso que envenena o riso do fracasso. O medo da vida já não é mais uma doença, mas antes uma constante familiaridade do dia-a-dia. Cansei-me dos viventes que amam a felicidade dos vencedores, mas desconhecem o gozo dos perdedores. Causou-me náuseas as esperanças de dias melhores que não sabem chegar sem dinheiro, luxo e poder. Maldito seja o sonho do poder desenfreado que fez de nós criadores da ilusão e negadores da tragicidade da existência.
            É hora de esquecermos os relógios e apegarmo-nos ao tempo! Já não são necessárias salas de esperas, pois a esperança chegou, ficou e – depois de saciada – partiu para construir seu próprio caminho que não aceita rastros. Chegou o grande dia, vamos todos a construir caminhos, porque já rastejamos demais em estradas que queriam fazer-nos voar, mas só nos ensinaram a andar. O que sonhou em voar já não vive, pois seus sonhos mataram; já o andarilho conheceu a existência – e sem matar, acabou morrendo a sonhar.
            Sonhos, sonhos, sonhos... já me cansei de tê-los a saciar meus enigmas. Se não quiserem tornar-se realidade, podem deixar-me, porque sei que os gostos do fracasso podem ser adoçados com a ironia, a comicidade e o riso. Só tenho medo de uma coisa e já lhes digo: De que este despertar não seja nada mais do que um sonho que sonha estar sonhando...



JACKSON DE SOUSA BRAGA
No sono dogmático
 11 de março de 2014, 16h04min.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

TODA SAUDADE JÁ É UMA FORMA DE PRESENÇA



Se a morte é uma certeza, a ressurreição é uma esperança! Afirma de forma profunda o teólogo Andrés Torres Queiruga em um de seus escritos. Diante do fim implacável e que a todos nós pertence, o convite é para que tenhamos esperança. Esperança que espera. Esta atitude de esperar se concretiza na saudade. Não se trata de fazer aqui um tratado sobre Escatologia, nosso intuito é bem outro, desejamos lhe mostrar que mesmo diante da morte de alguém, destino inevitável, processo natural da vida, ainda é possível ter esperança. Todos nós, você e eu, já perdemos alguém que amávamos; um amigo, um pai, uma mãe, um irmão.
Frente à dor de se ver a partida daqueles que faziam de algum modo, parte da nossa vida, os quais compunham o mosaico do sentido mais profundo de nosso existir, o sentimento primeiro que temos é o de impotência, ausência, orfandade, solidão! Uma pergunta cresce dentro de nós, como continuar vivendo quando aquele (a) que amávamos foi embora? Talvez não haja resposta para tal indagação, então o jeito que teremos será construirmos uma resposta, a partir, é claro, do nosso jeito de crer. É preciso estabelecer laços com a vida novamente, é preciso continuar vivendo. Viver o luto do jeito certo é não permitir que ele perdure paralisando-nos por toda a vida.  O que nós podemos fazer?
Ora, podemos promover a ressurreição daquele que não mais está ao alcance dos nossos olhos. Na medida em que reorganizamos o nosso luto, o nosso coração – pois, a morte tem o dom de desconcertar a nossa casa afetiva, paralisando quem vai, paralisando quem fica – estaremos, por assim dizer, promovendo a ressurreição do amado (a). Dito de outro modo, a partir do nosso jeito de encarar e viver a vida, não permitindo que a vida nos sepulte antes do tempo. Aqueles que os nossos olhos não podem mais alcançar não poderão cair no esquecimento! Por isso, faça o melhor que você pode, ame por ele (a).
Vale dizer, a ressurreição é mais do que um cadáver retornar à vida. É uma experiência que vai se estabelecendo em nosso coração, semelhante àquela vivida pelos discípulos de Emaús, quando estes ao se depararem com um suposto estrangeiro, sentiam seus corações arderem no peito, contando-lhes que Jesus não havia ido embora de modo absoluto (cf. Lc 24,13-34). Tal experiência se estabelece a partir do momento em que percebemos que o outro não morreu de forma absoluta, assim poderemos dizer as mesmas palavras que expressamos com relação ao Senhor da vida; “ele ou ela está no meio de nós!” Está porque vive em nosso coração, já dizia alguém; aqueles que amamos nunca vão embora, porque estarão sempre presentes em nossos corações.

Quer um desafio? Acredite! Ouse descobrir quais marcas positivas aquele que você não mais pode ver deixou em seu coração. Assim você descobrirá que o amado ou a amada ainda permanece no meio de nós! É bom sempre lembrar: toda saudade já é uma forma de presença.

JULIANO APARECIDO PINTO
In Memoriam, 01 de Novembro de 2013.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Ofício do Professor: a Educação




“Mestre, onde morás?” (Jo 1, 38)


            Como dizia o bom e sábio Aristóteles: “O ser humano naturalmente tende ao saber” e, neste processo gnosiológico é inevitável seu encontro com o professor, pois é através do ofício deste que o ser humano pode apreender o novo e ao mesmo tempo descobrir sua necessidade de sempre aprender. Pretendo aqui apresentar um pouco de minha reflexão sobre a raiz das palavras Professor e Educação, mostrando a importância desse profissional em nossa existência concreta e em nosso processo do saber.
            A palavra educação deriva de dois verbos latinos: Educare e Educere, os quais apresentam sentidos importantes do processo educacional na história humana.
Na primeira palavra podemos perceber a meta essencial da educação: a relação com o outro. Educare significa amamentar, criar, alimentar. É durante o processo de criação e alimentação que aprendemos a necessidade de reconhecer o outro como fundamental para a existência e também a obrigação ética de respeito para com sua individualidade pessoal. Aqui se destaca a figura básica da família e da importância de suas orientações e exemplos de respeito, amor, valores éticos etc...
Já o termo Educere significa conduzir (à força) para fora. Este termo se origina da união das palavras ex e ducere, e nos lembra o dever de – após a saída, estruturação e formações essenciais da Educare – partirmos para o novo mundo do conhecer, o qual nos faz percebermo-nos como sabedores de nosso não-saber, ou nas palavras de Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei.” É aqui que entra a importância do professor como aquele que oferece à humanidade sua valorosa ajuda e suporte para que o outro caminhe com bons passos pelo mundo do saber.
Antes, porém, de falar dessa importância, faz-se necessário observar a etimologia da palavra professor e seu sentido em nossa reflexão. A palavra professor vem também de um verbo latino, profitare que significa reconhecer publicamente. O termo profitare se dá na união dos termos pro (para fora, diante de todos) e fateri (reconhecer, confessar). Sendo assim, etimologicamente podemos perceber que na função de professor já existe um dever ético altruísta, pois seu ofício o obriga a entregar a todos - sem egoísmo - o seu saber, conhecendo-o junto aos outros novamente (re-conhecer é conhecer mais uma vez). O professor não é um sofista que se pretende sabedor e conhecedor de tudo, mas antes alguém que oferece seu conhecimento ao outro e que precisa aprender juntos com os outros o que já sabe.
Após essa reflexão sobre a etimologia da palavra professor, posso retomar a reflexão sobre a importância do professor na educação Educere. Conforme dito esta é um conduzir para fora e, tendo o professor o ofício de conhecer junto com o(s) outro(s) o que sabe, cabe-lhe a condução de seus epígonos para o mundo do saber. O professor aqui é um condutor e não o dono, pois sua função se dá em uma postura de ajuda e esperança: Ajuda, pois ele não se dá o direito de violar as etapas de cada indivíduo no processo de saber; Esperança, pois sua pretensão não é ser maior que o seu discípulo, mas assim como Aristóteles, pretende que seu aluno o supere e possa continuar esse processo de suprassunção dialético-sapiencial-educacional.
Não posso deixar de salientar que a Educação Educare é fundamental para o ofício do professor. No processo de condução e de oferta do saber não é possível forçar ninguém para que os receba, mas antes que sejam livres para desejarem e tenderem ao saber. Além disso, o professor não é figura materna/paterna para educare os alunos e esta última figura devem assumir este seu ofício sem depositá-lo em outros. Ao que percebemos, um dos principais problemas contemporâneos da educação é a carência que as crianças e adolescentes têm das figuras parentais e também da transmissão de valores éticos que estas podem oferecer-lhes.
Para não concluir, posso afirmar que hoje é mais um dia de lembrar a suma importância dos amantes do saber que não o amam com uma paixão egoísta, mas antes, que por um amor de razões que nem a própria razão é capaz de compreender (parafraseando Pascal), conhecem novamente e conduzem seus epígonos a saber, de uma forma totalmente altruísta, o doce sabor do conhecimento, que brilha, com luz cintilante e encantadora, no céu do saber.



JACKSON DE SOUSA BRAGA
Por um aluno/professor, 15 de outubro de 2013, 16h46min.
Dia do Professor

sábado, 5 de outubro de 2013

Um outro dia, uma outra praça...



Vejo-me novamente na praça, no mundo, no existir; vejo-me novamente num de meus muitos dias, muitas horas, muitos olhares, muitos sons e sentidos. Ouço os loucos, os normais, mas também a natureza e a tecnologia a romperem as barreiras do silêncio mundano de meu existir. Tenho uma certeza: Estou no mundo!
            Um mundo que de tão real se afastou da realidade e criou a virtualidade, na qual vive imerso; Um mundo perdido mais no não-existente do que no existente; Um mundo que não sente calor, frio, fome ou sede, mas antes toques, atenção, imagens, barulhos e navegações. Vejo o mundo que tanto temi num dia na praça, sem o amor e sem eu mesmo. O mundo que me fez desligar-me da sede que tenho pelo amor, foi o mesmo que me fez conectar-me no mundo que não existe, do qual sou (somos) um (s) dependente (s). Vejo todos passarem no real e um ainda me conhece e constato que ainda não estou só. Contudo, ele passa e ainda comemora mais um dia sem os outros. Foi só um momento, volto à solidão.
Percebo-me obrigado, como na praça, a continuar a ver o prazer da dependência rumo à morte. A vaidade foi deixada de lado, frente ao consumismo que continua a alimentar a sede insaciável do humano, mantendo-o escravo da economia e cobaia do mercado. Sou obrigado a ouvir os sons de má qualidade e pobreza de sentido, os quais perturbam minha inteligência e mantenho-me silencioso, pois o politicamente correto da liberdade de expressão é mais poderoso que minha ânsia de liberdade humana; Sou ainda obrigado a ver o desejo de meus instintos e deixar-me controlar pelo império de minha consciência; Sou obrigado a perder meus olhares na busca de sentido dos tolos viajantes. Tolos sim! Para onde vão? Vão para qualquer lugar, mas ou estão voltando, ou sentem-se obrigados a voltar, ou ainda a ficar, mas nunca a chegar...
            Incomodam-me, as vezes, os viventes, pois violam minha privacidade sem eu lhes dar tal permissão. Incomoda-me sua privacidade, pois fadou-se ao mundo do virtual e reclama descrição no ambiente público que é infinito. Vou continuar a caminhar neste mundo, nesta história, nas praças e também no virtual... Vou voltar para casa da qual sou estrangeiro, portador de suas chaves, mas sem a certeza de poder adentrá-la.
Pobre de mim; pobre do amor que agora se tornou alguém sem importância; pobre dos fadados a virtualidade, pois estão condenados a prisão de selas infinitas e sem centro específico; pobre do caminho, pois já perdeu seus caminhantes e ficou sem poder levar estes ao seu lugar; pobre ainda do viajante, pois sou mais estrangeiro que sua clandestinidade; pobre de mim, pois sonhei em gerar e só vejo os outros a conceber e ter estrutura para isto. Queria aquela que me afastou-aproximou de Gabriela e ajudou-me a esquecer-lembrar do amor para cobrar-lhe os danos que causou neste ser que sou.



Jackson de Sousa Braga
3 de outubro de 2013. 12h30min.
Em: Conexão nupérrima


Obs: Respondendo: Falamos sozinhos e sentimo-nos idiotas, porém talvez esse seja o nosso principal modo de ser compreendido. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

27 de agosto...


Este dia é bem especial para mim, pois somente nele lembro-me de três fatos, de cuja importância marcam minha história e vida, são eles: Dia de Santa Mônica, aniversário de morte de Dom Luciano Mendes de Almeida e dia do Psicólogo. Poderia ser sim para muitos um dia qualquer, entretanto para mim ele assume um significado especial, dando-me a lembrança de ações que são importantes para minha história pessoal e de meu compromisso com uma humanidade melhor e mais humana para todos.
            Em relação ao dia de Santa Mônica, posso lembrar-me de uma mulher de coragem e amor incondicional a seus. Ela que foi uma mãe de fé, dedicada para com o seus filhos e marido me adverti de meu compromisso de ser um bom membro em minha família, de dedicar-me no cuidado desse bem incomparável, dado por Deus a mim. Além disso, ela me lembra de minha responsabilidade de ser uma pessoa confiante no amor e na fé. Mônica destinou 32 anos de sua vida a orações por seu filho, Agostinho, o qual, após converter-se, dedicou-se aos estudos e diálogo entre a fé e a razão – merecendo o título de filósofo e Doutor da Igreja. Além disso, Mônica me ensina a não querer colocar-me como um manipulador da vontade de Deus, mas antes saber respeitar as etapas e processos de sua providência. Ela não foi uma pessoa conformada com a vida ou passiva em relação à situação, mas antes uma mulher empenhada com os exemplos e ativa em seus sonhos. Foi da intercessão dessa grande mãe que recebi um comunicado: "Agostinho gosta muito de você... Você está construindo sua casa e ela está ficando muito bonita, só que ultimamente você tem jogado algumas pedras nela." Ajude-me, querida padroeira, a ser cada vez mais um bom construtor de minha casa e um homem zeloso para com a mesma.

            Quanto a Dom Luciano Mendes de Almeida, posso lembrar-me de um homem de amor para com os mais necessitados. Dom Luciano foi e ouso dizer que ainda é um homem exemplar para nossas ações em relação aos outros. Lembro-me de inúmeros fatos que ele realizava e nos encantava com amor, mas principalmente de suas frases e ensinamentos – os quais vinham recheados de vivência sapiencial. Saliento aqui algumas de suas frases que sempre levo como propósito de ação: “Descobri que o céu é ver os outros felizes”: Essa frase nos indica que não podemos esperar a concretização de um Reino de Deus sem dedicarmo-nos a felicidade dos outros; “Se eles estão pedindo é porque necessitam!”: Essa frase me fora comunicada por uma de suas fiéis ajudantes, em Mariana-MG. Em tal enunciado, o inesquecível Bispo marianense nos lembrava da importância de nossas ações serem menos recheadas de desejos e propósitos de julgamento e serem mais ações solidárias de amor e acolhida; Deus é bom!”: Esta frase fora dita por ele, em meio ao sofrimento e nos lembra de nossa responsabilidade de percebermos a presença de Deus como alguém que acompanha-nos em busca da felicidade que não aluna o nosso ser humano – dotado de dores, sofrimentos, angústias etc. –, mas antes “é conosco” em meio a nossa humanidade de alegrias e tristezas, males e bens, prazeres e angústias... Tive pouquíssimos contatos com Dom Luciano, mas nestes poucos, peço a Deus que aquela benção que ele me dera: “Deus lhe abençoe! Tudo bem com você?” faça-me sempre mais um compromissado com a concretização desse tudo bem comigo e com o outro e me aproxime da maios benção de Deus: o Amor ao próximo como a mim mesmo.
            Finalmente, sobre o dia do psicólogo posso sentir-me feliz por estar me dedicando na entrada dessa dimensão de saber. Não sei se sou capacidade já para falar de tal ofício, pois ainda estou começando a conhecê-lo e aprender sobre seus propósitos, contudo dou-me aqui o direito de ousar em meu discurso.  Creio que essa profissão seja antes de tudo um desejo de ajudar o outro, principalmente em sua individualidade. Seu propósito maior é fazer de nosso encontro uma oportunidade de escuta do outro, acolhendo-o em suas palavras. Ao que me parece, o psicólogo é o profissional que se depara com o mal discursado por aquele que o teme e não o quer mais suportar e cabe a esse profissional a missão de acolher o outro e ajudá-lo. Nas aulas, estou me lembrando muito das palavras do Rubens Alves sobre a arte de ouvir, que tanto psicólogo precisa ter: “Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.” Talvez, esse seja a característica fundamental do psicólogo, a capacidade se saber silenciar-se e ouvir. Que eu aprenda sempre o silêncio, mestre da aprendizagem, e também a arte da escutatória.
            Concluindo, só posso pedir a Dom Luciano e a Santa Mônica que elevem, junto com meu amor, minhas preces a Deus, para que eu vivencie cada vez mais: o amor a meu bem maior, minha família, e também a oração verdadeira e sábia, cuidado/construindo de minha casa e protegendo-a; aprenda a amar o próximo com atos de amor; e a silenciar-me para/e ouvir. Santa Mônica e Dom Luciano, intercedam a Deus por nós!



JACKSON DE SOUSA BRAGA
Viçosa, 27 de agosto de 2013, 13h07min.
Dia de Santa Mônica
7º ano de falecimento de Dom Luciano M. Almeida
Dia do Psicólogo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A experiência do Luto...

"Disse Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá." (Jo 11, 25)


                Perdoem-me os enlutados que amam o silêncio, mas minhas palavras não gostam de ficar escondidas em meu íntimo e clamam pelo encontro do papel. Sou feliz pela vida dos que amam e pela alegria de seu viver, mas a dor da morte do outro nos faz refletir sobre esse grande mistério da vida e da morte e sua relação. Seria uma grande pretensão de minha parte falar nestas poucas palavras da morte e da vida, pois ambas são maiores do que minha capacidade reflexiva, contudo escolho dois verbos que fazem parte da vida e da morte, já lhes digo: O Nascer e o Enlutar-se...
                Quando nascemos, vivenciamos a experiência da perda do amado. Antes estávamos na sacralidade da proteção uterina, com todos os seus confortos e proteções. Perdemos o conforto do carinho e do calor que recebíamos naquele pequeno trono acolhedor. Não é em vão que ao nascermos já sabemos apenas chorar e normalmente esta é nossa primeira reação e é dela que nos valeremos todas as vezes que experienciarmos a dor da saudade. Sempre procuramos o outro amado com as lágrimas na percepção de nossa pequenez e na tristeza do sentimento de solidão. Resumindo: são as lágrimas nosso primeiro refúgio...
                Analogamente ao nascer, também na experiência do luto vivemos a perda de um(a) amado(a). Antes encontrávamos em sua presença nossas proteções afetivas, agora sentimos sua perda física e concerta. Surpreende-me a nossa incapacidade de esperar que o(a) amado(a) esteja fraco(a), doente  e que morra... Além disso, assim como no nascimento, nossa reação na experiência da perda é a das lágrimas, que são o sangue da alma nas palavras agostinianas. Nas lágrimas encontramos a força de nos revoltar com a perda e de pedirmos que o(a) amado(a) volte e não deixe que a saudade nos tome. Resumindo: são as lágrimas nosso primeiro refúgio...
                Porém, aqui existe um apêndice... Após o nascimento e a experiência das lágrimas, a criança é convidada a aprender a única coisa que poderá compensá-las, isto é, o sorrir. Nascemos dotados com ofício de chorar, mas a aprendizagem da arte de sorrir expressa nossa capacidade de encontrar na perda a nova força para prosseguir no crescimento. Continuando nossa analogia, na experiência de luto, temos que prolongar o amor aprendido do(a) amado(a). Nossa experiência aqui é de ressurreição, de voltar a viver o bem que o amor do perdido(a) nos fez...
                Concluindo, poderia dizer que a experiência de morte é análoga a de nascer, com todas as suas lágrimas e sofrimento de saudade e dor. Porém, depende de nós, fazermos com que os sorrisos infantis sejam também análogos ao fazer ressurgir do(a) amado(a), com toda a ressignificação de nosso futuro de lembranças amorosas.



JACKSON DE SOUSA BRAGA

No luto de tia Dora, 20 de junho de 2013.

terça-feira, 18 de junho de 2013

“Nossa vida no teu seio mais amores”

"Tenho medo da graça que passa e não volta mais" (Sto. Agostinho)

Quanta alegria invadiu meu coração ao ver meus irmãos, brasileiros, nas ruas de suas cidades. Eles uniam suas forças ao clamor de uma nação massacrada pelo domínio de uma mídia que deseja manipular-nos, contra a corrupção que invade os direitos constitucionais e humanos dos brasileiros, em protesto à má distribuição de renda em nossa nação... São inúmeros os clamores de nosso povo, mas não podemos deixar que esse sonho de liberdade e direitos melhores morra nos combates e/ou nas caminhadas.
            Nosso povo se levantou em luta: “Verás que o filho teu não foge a luta”, porém sem estar dotado de armas letais ou criminosas. Saliento que somos munidos de uma só arma e ela se encontrará nas urnas do ano de 2014. É hora de nos levantarmos contra o monopólio governamental de X ou Y partidos e candidatos. É momento de mostra que nosso congresso é realmente casa do povo e não simplesmente um local de nossos velhos exploradores – o congresso brasileiro chegou a fechar suas portas aos jornalistas, tendo a coragem de proibir-lhes de perguntarem diretamente aos(às) senadores(as) em momentos oportunos sobre questões cruciais ao povo.
            Ainda podíamos lembrar que é tempo de ergue a bandeira da justiça apaixonada e orgulhosa de ser brasileiro, ao invés de chamar o país de “porra” ou de “lixo”. É momento de perguntarmos que país é esse, mas sendo os muitos Paulo Freire’s, Santos Dumont’s, Tiradentes’s, Machado de Assis’s, Oscar Neimeyer’s, Silvio Santos’s... que arregaçaram suas mangas e fizeram do seu trabalho o motivo de alegria de todos os brasileiros. Devemos esquecer a inveja dos países desenvolvidos e tornar nossa história o principal motivo e força para transubstanciar nosso lar brasileiro.
            Finalmente, Chegou a oportunidade de fazer as principais revoluções de um país, a sabre: da educação e da saúde – assim como nos lembra Leonardo Boff. É hora de mostra que os estádios podem ficar vazios em jogos da seleção, mas as escolas devem ser recheadas de alunos apaixonados pelo saber. É nossa vida que está no seio do amor das vidas anônimas que se sacrificam dia-a-dia nos trabalhos cotidianos e fazem dessa nação uma instituição histórica. É o grande momento de nossa vida se configurar ao amor, cantado em nosso hino: “Nossa vida no teu seio mais amores”.





JACKSON DE SOUSA BRAGA
COM O CORAÇÃO EM MANIFESTO, 18 de junho de 2013.

sábado, 8 de junho de 2013

A Saudade...


“Fui me confessar ao mar. E o que ele me disse? Nada.”
(Lygia Fagundes Teles)



            Falar de saudade é falar de mim mesmo e do(a) outro(a), que tanto amo, em um só dialeto e expressão. Bendita seja a linguagem humana portuguesa, por poder expressar, em uma só palavra, a solidão de um coração. Porém, mais bendita é a memória afetiva que arde em seu sonho de encontrar o(a) amado(a) no seu presente, conforme a beleza do passado. Somos os grandes artífices da saudade e creio que somente ela pode fazer com que o outro seja eternizado em nossas emoções.
            A palavra saudade é de nossa “tirinha”, é da mesma “gema” brasileira que fomos formados. Originou-se do grande sentimento que afastava os português e negros de suas terras natais e de seus entes queridos, após a chegada das embarcações nessa Terra de Santa Cruz. Podiam eles perceber, lembrando das palavras de Exupéry, que “entre os homens a gente também se sente só”. Isto é, em meio a uma multidão, também podemos nos perder em uma solidão drástica e marcante – diga-se de passagem, que a palavra saudade deriva do latim solitáte, que significa solidão.
            Sendo assim, somos seres de saudades! Somos as mães e os pais a sentirem necessidade de estar com seus (suas) meninos(as) repousados(as) sobre o colo protetor-acolhedor do lar; somos os irmãos, a lembrar da alegria da diversão inocente e fraterna; somos os amigos a encontrar graça nas piadas antigas e contos marcantes; somos os amantes a rememorar o atraente sentimento da primeira troca de olhares e o doce sabor dos primeiros beijos... Somos as carinhosas lembranças do lugar marcante e do memorável objeto amado.
Quão bela é a saudade, filha da memória e neta do amor. Quão belo é seu desejo de fazer com que nos encontremos na multidão com as pessoas e não com os indivíduos. Quão belo é seu sorriso no encontro esperado e no afago do abraço forte. Quão digna é sua capacidade de continuar a ressurreição dos que já se foram com a separação mortal.
Ah... Caro(a) leitor(a), permita-me desculpar-me, pois não consigo falar desse sentimento, sem me perder no discurso sobre meus amados e minhas amadas... Talvez, seja impossível para eu falar ou separar nas palavras a homilia sobre a saudade e a homilia sobre os amados. Porém, fico feliz em ter podido dizer-lhe sobre quão esplêndida é a saudade que sinto dos meus amados e de minhas amadas e ainda sou grato pela capacidade de amar que a memória me dotou!

JACKSON DE SOUSA BRAGA
Na solidão das letras, 8 de junho de 2013, 23h03min.
DIA MUNDIAL DA SAUDADE

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Meus diferentes oitos de novembro



In collo Matris Dei

Hoje é dia de render graças a Deus, a vida, a amizade e a solidariedade que recebi a oito anos atrás. Tenho uma gratidão especial a tantos que num dia como esse estavam vivendo a intensidade de uma segunda feira com suas atividades escolares, seu cansaço do primeiro dia de trabalho na semana e tantas outras coisas e se dispuseram a ajudar-me a levantar do grande acidente de minha vida. Naquela simples bicicleta descia eu por um lugar tão conhecido e que acabou em um acidente grave que me custou alguns pontos na cabeça e um pedaço da mesma a um “gato” (brincadeira do médico a minha mãe, ao comunicar a retirada do pedaço de osso do meu crânio), mas também uma verdadeira experiência de valorização da vida.
            Sim, aquela experiência fez-me ver o valor de cada movimento de minha vida, ao inclinar-me e acabar batendo no chão e tendo pelo menos 3 convulsões. Fez-me descobrir que ajuda solidária é um ato eticamente humano, quando aquelas pessoas desconhecidas foram prestar-me os primeiros socorros. Aquele pequeno tombo e grande acidente fez-me conhecer o poder da oração de amigos e familiares em busca do meu próprio bem. Fez-me ainda encontrar nas palavras de amor e sabedoria materna e paterna mais segurança do que a inteligência calculista de alguns profissionais.
            Por isso e muito mais, tenho gratidão a cada segundo vivo e amo essa vida como nunca antes pude amá-la antes. Naquela madrugada, a disponibilidade do médico e o carinho de todos que me amavam fez-me sobreviver e dizer que queria continuar minha caminhada de descoberta de cada segundo nesta existência, por isso me levantei logo após o procedimento cirúrgico e quis correr num lugar que nem mesmo conhecia. Mas, acima disso tudo, o sono dos medicamentos me fez descobrir que respeitar minha humanidade é amar os sonhos novos e fascinantes que a história me preparava.
            Por isso, aqui estou eu, neste dia, comemorando um novo aniversário talvez. Gratidão e alegria à aquele momento e a todas as pessoas (conhecidas e desconhecidas) ao ajudarem-me sem esperar nada em troca até hoje.  Mas, além disso, obrigado Meu Deus humano, por me deixar acordar apenas no dia 10 de novembro e descobrir que o melhor de todos aniversários poderia ser comemorado em um hospital – onde pude ver que a vida é também composta de sofrimento, mas nem por isso deixou de ser uma vida digna de ser amada. E ainda agradeço por ter-me esquecido de todas aquelas quase 12 horas, pois assim tenho a liberdade de reinterpretá-las e redescobri-las a todo momento.


JACKSON DE SOUSA BRAGA
Lembrando o que não está em minha memória,
08 de novembro de 2012, 23h.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Donde vem o vazio no existir?



Uma pergunta: “Para quê?”
Para que o ontem a perturbar o hoje, que morre no amanhã?
Para que o nada, sendo que o tudo me ocupa a mente?
Para que o inferno, sendo que a vida está já aqui?
Para que a solidão, no meio da multidão suicida?


Um desejo: “Compreender o nada!”
Compreender o nada consumidor do tudo, no tempo e no espaço.
Compreender o nada do conhecimento, em meio a tantas opiniões.
Compreender o nada de cada palavra, ao dizer o silêncio.
Compreender o nada dolorido do mal.


Uma paixão: “O viver!”
O viver da compaixão, em meio ao ódio, à cobiça e ao poder.
O viver da caridade, no mundo do capitalismo neoliberal.
O viver da amizade, em meio egoísmo altruísta.
O viver do amor, em meio a objetivação do pobre.


Um Fim: “A dor do mal!”
A dor do mal de manter vivos os pesadelos mortais.
A dor do mal em manter a morte inquietando-me.
A dor do mal em salientar o sofrimento.
A dor do mal em ser mal.



Jackson de Sousa Braga
Depois, 16 de outubro de 2012, às 23h05min.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lendo as estrelas...




No doce silêncio da noite, encostado na janela do mundo e rumo à visão da morte, constatei a pobreza da linguagem: Pobres são as palavras! Corria perdidamente por caminhos conhecidos, mas num momento escondido da vida. Sim, ouvi o que meu coração temia: a fraqueza do dizer. Não sei por que estou a testemunhar isto aqui, mas sinto-me obrigado a suportar essa entrega de palavras ao mundo do barulho – ou melhor, da conexão.
            Não se engane com minhas palavras, pois elas também se fizeram fracas neste momento. Constatei que não sou compreendido, que talvez ninguém seja. Constatei, vendo as estrelas, que a linguagem é só um modo falido, que encontramos para sair da solidão humana. Ouvi o palpitar de meu coração apaixonado e vi que a linguagem era pobre o bastante para não saber se expressar. Disse ao silêncio sobre minhas dores e as palavras morreram no vento que as levou. Cheguei a perder a esperança na confiança de ser compreendido.
            Chorei amargamente diante das estrelas e chamei-as para junto de mim, porém elas me olharam e deixaram apenas seus sorrisos brilharem. Neste momento, experimentei a angústia de ser aquele que fala, mas que não sabe ser compreendido. Vivi o tédio de falar ao mundo o que penso e não ser jamais envolvido pelo outro. Quão triste foi constatar, em minha solidão, que a linguagem é uma noiva cadáver.
            Sim, ela é uma noiva, pois estou condenado a suportá-la em minha existência e amá-la como se fosse meu único remédio para o diálogo. Entretanto, ela é cadáver, pois morta vive a apodrecer o silêncio e viva consegue morrer nos ventos dos sentidos, sentimentos e razão... Por que ouso utilizá-la ainda? Por que a linguagem não é tudo, mas o tudo só se expressa na linguagem?
            Que dor é essa que aborrece o meu ser? Por que estou a lhe dizer isto? Por que sou compreendido por seu entendimento, mas desconhecido pelo seu ser? Pobre de mim, por falar aos ventos o que o silêncio já não suporta! Pobre de mim, por ser um ser de linguagem, sem nem mesmo acreditar na sua compreensão. Calo ou não me calo? Se me calo, estou a dizer o silêncio, que não pode ser dito; se não me calar, continuo a me comprometer com a linguagem fraca, pobre e sem vida.
            Resta-me o paradoxo, de continuar a dizer o que não é compreendido ou silenciar para continuar a não ser compreendido.


Jackson de Sousa Braga
Na estrada com as estrelas, 9 e 10 de setembro de 2012

sábado, 21 de julho de 2012

"País das Lágrimas"


Hoje, eu estava lendo o livro do Pequeno Príncipe e me deparei com o “país das lágrimas”. Somos, enquanto animais humanos, os senhores das lágrimas e amante das mesmas. Na maioria de nossas experiências (físicas, psíquicas e espirituais) trazemos as lágrimas como uma reação. Além disso, somos seres que vem a chorar (trazer lágrimas) para nascermos da melhor forma possível. Somos amantes das lágrimas e também fugitivos das mesmas.
                Somos amantes das lágrimas, porque acreditamos que elas são nossas válvulas de escape. Acreditamos no seu poder de limpar nossas almas das dores da existência. Acreditamos que as lágrimas carregam no olhar a contrição do erro e a vitória do justo. Amamos as lágrimas pela sua capacidade em expressar a nossa confiança na misericórdia do (O)outro. Encontramos nelas a explosão da vitória trabalhosa e a confiança do suor bem empenhado. Enfim, somos amantes das lágrimas, pois sabemos que elas são a melhor forma de tornar físico o que não pode ser físico.
                Porém, somos também fugitivos! Fugimos de sua capacidade de manter viva a dor e a angústia de dias sombrios. Santo Agostinho tinha o costume de dizer que “as lágrimas são o sangue da alma” e acredito que o dizia para nos lembrar da capacidade que elas têm de nos retirar a vivacidade de nosso ânimo. É através delas também que expressamos a ira de corações escravizados pelo ódio, pelos ciúmes e pela raiva. Enfim, somos fugitivos das lágrimas, porque tememos o seu poder de tornar expresso o mal nas linhas de nossa face.
                Minhas palavras agora querem se voltar para o sussurro que os gemidos humanos carregam junto às lágrimas. Ouça-me, ó lágrimas, que escutarem ou lerem essas palavras: Sou um suspeito! Sou suspeito de soluçar esperanças mortas, prazeres frios, paixões cheias de cobiça... também sou suspeito de chorar as conquistas laboriosas, o nascer do amado, o amor difundido... Contudo, não sei bem o motivo de cada lágrima. Porém, não deixo de acreditar que um dia vou desvendar seus mistérios e encontrar, como um pequeno príncipe, o revelar-se do oculto de sua fonte: “É tão misterioso o país das lágrimas”.
                Diante de minhas próprias palavras – ousadas talvez pela minha culpabilidade suspeita – só me resta o doce e amargo silêncio da solidão. Tenho a certeza de que as gotas de sangue jorrarão do coração de minha alma, porém a confiança nos doces sentimentos e nas alegrias  esperançosas alimentarão minha confiança na existência.



Jackson de Sousa Braga
Na solidão silenciosa,  21 de julho de 2012 (22h13min)